*o texto abaixo foi publicado no final do ano de 2007
Ana,
Me chamo Carlos Júnior e moro em Goiânia. Escrevo essa mensagem para
você a respeito do ocorrido em Anápolis, no dia 26 de maio desse ano.
Naquele dia em que você, pela direção de Deus representou um Leão no
palco. Fui eu quem gravou o vídeo e o colocou no YouTube. Depois de ler
sua resposta à uma pergunta feita na Coletiva de Imprensa em Limeira dia
15 de novembro e pelos comentários feitos a respeito do vídeo desde o
evento, resolvi escrever a você.
Sou grande admirador do Diante do Trono, pois foi o primeiro grupo
evangélico que ouvi logo após minha conversão. Sempre te admirei e
respeitei o seu trabalho, sempre tive o DT como referencial de louvor
para mim, de música. E é por isso que escrevo hoje a você.
Quero pedir sinceras desculpas por ter colocado esse vídeo na
internet. Eu mesmo não imaginei que causaria tanto escândalo como
causou. Foi como você mesma falou em Limeira: “através do vídeo colocado
no YouTube muitas pessoas foram escandalizadas por não conhecerem o
contexto”, as pessoas não sabiam do contexto, não sabiam daquele
maravilhoso espontâneo “Como um leão, um cordeiro e um leão”, não sabiam
do clima de guerra que estava naquele lugar, não sabiam das forças que
estavam ali. É por isso que quero me desculpar. Sei que causei
escândalo, sei que através daquele vídeo o ministério foi difamado.
Milhares te criticaram e escarneceram o DT. Me sinto triste por isso,
pois eles não levaram em conta os mais de 10 anos nos quais você
batalhou pelo DT, pelas obras e pelas conversões através das suas
músicas, mas com um evento desse, pra muitos todo o seu passado foi
apagado. É aquela história, “Você pode fazer 99%, mas se deixa de fazer
1%, todos te criticam.”
Quero te dizer que estou mesmo arrependido de ter feito isso, sinto
que traí a mim mesmo, colocando um vídeo que difamou o meu grupo
favorito. Quando percebi isso já era tarde: Retirei o vídeo, mas alguém
já havia feito o download e recolocaram no YouTube.
Não sei também porque fui levado a gravar a parte final, com aquele
“Dê um brado de vitória!”, com brados que ecoaram por Anápolis. De todas
as ministrações do DT que já fui, aquele brado realmente foi o mais
alto. Espero que Deus tenha um motivo para isso tudo, para essa ligação
que ficou mais forte entre o DT e eu. E espero que eu não tenha causado
dor e sofrimento, mas se causei, mais uma vez, peço desculpas. Sei que
errei, mas também não posso mais voltar no tempo. Minhas sinceras
desculpas e espero que um dia possa te encontrar e poder te pedir
desculpas pessoalmente.
Quero te dizer que você é uma benção na vida de milhares de pessoas
pelo mundo e na minha também. E que Deus continue abençoando o DT como
toda sorte de bençãos que Ele puder. Fique na paz do Nosso Senhor Jesus
Cristo.
Com admiração,
Carlos Júnior
__________________________________________
Queridos irmãos, escrevo estas palavras depois de algum tempo do
ocorrido em uma ministração do Diante do Trono em Anápolis, Goiás, onde
andei como um leão no palco. Logo após o evento as imagens deste ato
foram colocadas na internet e tenho recebido inúmeras palavras de apoio e
também de repúdio ao que as pessoas assistem no pequeno vídeo. Somente
agora tive paz em meu coração para escrever explicando o que aconteceu,
pois temia estar agindo errado ao tentar me defender. Apenas respondi às
pessoas que me procuraram pessoalmente ou que escreveram e-mails para o
nosso ministério. Mas hoje, depois de algum tempo, decidi trazer um
texto a público.
Desejo começar pedindo perdão aos irmãos que se sentiram ofendidos
com o que fiz, pois de maneira alguma meu desejo foi esse. Eu acredito e
me esforço pela unidade do Corpo de Cristo e anseio por ser sempre uma
voz que inspire a comunhão e a união entre os crentes no Senhor Jesus.
Jamais faria algo propositadamente que pudesse causar divisão,
escândalo, ferindo esta unidade em favor da qual tenho orado e
trabalhado.
Dentro do ministério que recebi do Senhor, que é o louvor, acredito
que podemos experimentar esta unidade de uma maneira como nenhum outro
ministério pode, pois todos os cristãos, independente da sua
denominação, podem estar unidos cantando louvores a Jesus e exaltando o
Seu santo nome. Portanto, inicio pedindo perdão por ofensas causadas por
este ato que fiz e que tenham trazido qualquer divisão em nosso meio.
Agora, se o leitor me permite, gostaria de tentar explicar o que
aconteceu. Se serei aceita ou não, depende de quem lê, pois muitas vezes
nossos pressupostos teológicos são tão diferentes que nenhuma
explicação seria suficiente para que todos concordassem com minha
atitude. Mas tentarei ser o mais clara possível em minhas posições.
Quando nos preparávamos para ir a Anápolis, considerada uma das
cidades com maior população evangélica do país, passei a buscar do
Senhor algo específico que deveria ser ministrado ali.
Procuro em cada evento ter a direção de Deus em meu coração para que
não seja apenas um show, mas sim, algo relevante para as pessoas que
estarão presentes, alcançando a Igreja e a cidade como um todo. São
canções que entronizam Jesus, são orações que acreditamos que podem
muito em seus efeitos, tanto na vida das pessoas presentes, como na vida
de pessoas distantes, e até mesmo de toda a cidade, que está sendo
coberta por nossas intercessões enquanto adoramos e oramos juntos.
Em Anápolis o que me veio ao coração era que a Igreja do Senhor Jesus
precisava de encorajamento. Havia depressão, medo, intimidação,
angústia e desejo até mesmo de morte no coração de muitos cristãos. Essa
impressão foi confirmada por vários testemunhos que recebi antes e
depois da ministração.
Realmente o índice de suicídio era altíssimo naquela cidade, e muitos
crentes, com histórias terríveis dentro das igrejas evangélicas,
passavam por esse tipo de aflição. Havia também a confirmação de que a
igreja, muitas vezes misturada ao mundo, precisava ser despertada para
ter mais ousadia para pregar o Evangelho, para sair das paredes dos
templos e fazer diferença na sociedade. Sei que esta parece uma mensagem
que pode ser pregada em qualquer cidade, mas a cada evento tenho
buscado algo específico de Deus para Seu povo, e todas as vezes a ênfase
é diferente. Ali em Anápolis esta foi a direção, ou seja, uma
ministração de força e ânimo para o povo de Deus.
Enquanto eu falava sobre isso naquela noite, um cântico espontâneo
veio ao meu coração que dizia: “Como um leão, um cordeiro e um leão”.
Falei sobre como devemos ser fortes no Senhor para resistir o
inimigo, suas tentações, suas intimidações. Falei sobre como as portas
do inferno não prevalecerão contra uma Igreja ousada, que evangeliza,
que é sal desta Terra e luz deste mundo. Falei sobre uma postura de
resistência e ousadia ao invés de uma passividade e comodismo em que
muitos crentes vivem hoje.
Disse que Jesus é o Leão da tribo de Judá, forte, vencedor, e Ele
está em nós para nos fortalecer. Também falei que devemos ser como
Jesus, o Cordeiro de Deus. Assim como Ele é, devemos ser mansos,
humildes, com coração quebrantado diante da vontade do Pai, e mudo
perante seus acusadores. Disse essas coisas e celebramos com muita
alegria e intensidade esta realidade que vemos em Cristo e que podemos
viver em nossas vidas. Estava bem claro diante de nós que o Espírito
Santo era quem havia trazido esta mensagem, de maneira tão espontânea, e
as pessoas respondiam celebrando conosco e recebendo esta ministração
em seus corações.
Foi então que eu, crendo hoje assim como naquele momento, senti em
meu coração a direção de me agachar e andar como um leão. Eu antes
estava celebrando e pulando bem alto, e sentia uma leveza especial. Mas
de repente minhas pernas faltaram com a força e me vi no chão sem
conseguir me levantar. Agachar e engatinhar foi um reflexo rápido, e eu,
que já estou acostumada a obedecer aos ímpetos que creio que o Espírito
Santo me traz, obedeci àquela direção. Enquanto representava um leão
ali no palco, eu pensei: “Minha reputação está indo embora. Deus, o que
as pessoas vão pensar de mim?”. Mas eu ouvia no mais profundo do meu
coração que eu O estava obedecendo e que não era para me preocupar com a
opinião das pessoas.
Agi crendo que o Espírito Santo estava me movendo, e obedeci ao que
ouvi dentro do meu coração. Assim faço quando preciso escolher um
cântico que será entoado em um culto, seja anteriormente enquanto oro e
faço a lista de músicas ou seja durante o evento, em momentos em que o
plano é mudado e algo espontâneo nasce, ou uma música não planejada
encaixa-se perfeitamente no que o Senhor está fazendo naquele instante.
Não planejei andar como um leão, mas cri estar agindo, obedecendo a um
ímpeto do Espírito Santo em meu coração.
Agi assim, com tanta liberdade, por estar em um evento do Diante do
Trono. Apenas depois do evento é que tomei conhecimento de que estávamos
em um lugar cedido pelos irmãos das denominações históricas, e isso
trouxe preocupação ao meu coração, pois não queria ofendê-los. Jamais
agiria assim dentro de um lugar onde claramente este tipo de atitude
seria incompreendido. Em nossos eventos, as pessoas geralmente já nos
conhecem e sabem que somos batistas renovados, com características
pentecostais, e não se escandalizam com as manifestações dos dons do
Espírito Santo através de nós. Sabia que andar como um leão era muito
diferente e poderia ser polêmico, mas agi crendo que tinha liberdade
para isso e também baseada no que vejo na própria Palavra de Deus.
Na Bíblia encontramos diversos exemplos de mensagens de Deus que
foram entregues ao Seu povo através de encenações ou recursos visuais.
Ezequiel, por exemplo, abriu um buraco na parede e fugiu com uma
“mochila” nas costas avisando do cativeiro babilônico (Ez 12); em outra
ocasião, ele construiu uma “maquete” da Jerusalém sitiada (Ez 4); e
também, em outro momento, Deus o proibiu de chorar a morte de sua esposa
amada (Ez 24:15-18). Jeremias, um outro profeta, por ordem de Deus,
colocou um jugo sobre si e passou a andar pela cidade dessa maneira (Jr
27); noutra ocasião, ele enterrou um cinto de linho junto ao rio e
depois de algum tempo, pegou-o apodrecido (Jr 13:1-11). E o que dizer de
Oséias, que, em obediência a Deus, se casou com uma prostituta e por
diversas vezes a perdoava e a recebia de volta apensar de suas traições
(Os 1 e 3)?
Estes e muitos outros atos dos profetas (ou atos proféticos)
carregavam uma mensagem para o povo de Deus. Até mesmo o próprio Deus,
em algumas ocasiões, usou de recursos áudio visuais para trazer a Sua
mensagem, de modo a fixá-la mais firmemente na memória das pessoas. Isso
aconteceu, por exemplo, na visão que Pedro teve de um lençol que descia
do céu com toda sorte de animais, representando o propósito de Deus em
alcançar os gentios com o Evangelho (At 10: 9- 16).
Sei que não sou nem Jeremias, nem Ezequiel, nem Oséias, nem Isaías,
nem Pedro, e reconheço que apenas as Escrituras Sagradas devem ser
vistas sem julgamento ou crítica, mas aceitas plenamente porque são a
Palavra inspirada, inerrante e infalível de Deus. Minha atitude pode e
deve ser julgada por todos. Mas desconhecendo o contexto em que
aconteceram os fatos, é difícil uma pessoa, por mais justa que seja,
chegar a uma conclusão correta. Acredito que andar como um leão naquele
momento era uma mensagem que o Senhor estava passando para o Seu povo
naquela cidade. Mensagem essa que falava de força, resistência, ousadia,
encorajamento e poder do Espírito Santo em nós.
Muitos se esqueceram dos dez anos de ministério Diante do Trono, em
que tenho servido ao meu Senhor e à Sua igreja com toda integridade do
meu coração, e se apegaram a alguns minutos, desconectados do seu
contexto e sentido, e passaram a me acusar de trazer heresia e bruxaria.
Toda sorte de adjetivos ferinos foram usados contra a minha pessoa.
Há poucos dias li um artigo escrito por um pastor que participou da
“Bênção de Toronto”. Ele disse que várias pessoas andavam como leão e
agiam como outros animais. Ele afirmou que tudo o que viveu não veio do
Espírito Santo de Deus, pois nos bastidores havia intrigas, problemas
familiares, corrupção na vida dos líderes envolvidos. Mas eu posso
testemunhar, e comigo se levantam todos os membros do grupo, minha
família e minha igreja local, que vivemos em comunhão com Deus e uns com
os outros. Temos um testemunho de seriedade em nossa busca por Deus e
em nossos relacionamentos familiares e ministeriais. Acredito que toda
uma vida não pode ser desprezada por alguns minutos fora do contexto,
minutos esses que infelizmente encontraram portas abertas em muitos
corações: alguns ansiosos para difamar e outros sinceros para guardar-se
de qualquer engano.
Minha oração e pedido é para que toda divisão causada por este ato no
Corpo de Cristo seja curada, e que a unção, ou seja, a capacitação
divina para vivermos como Jesus, o Cordeiro e o Leão, realmente esteja
sobre cada um de nós: ousados e fortes nEle; e mansos e humildes diante
dos nossos ofensores.
Crendo que mesmo nas aparentes derrotas nesta vida há um brado de
vitória ecoando nos céus; acreditando no Reino que é de ponta cabeça,
pois: quando somos fracos é que somos fortes; quando parece que perdemos
tudo, aí é que ganhamos; quando damos a outra face, aí é que
triunfamos; quando nada temos é que possuímos tudo; e mesmo
entristecidos estamos sempre alegres. Ou, como escreveu Rubem Amorese no
seu livro “Meta-história”, que muito me consolou nos últimos dias,
somos ovelhas-leão.
Muito obrigada a você que lê pela oportunidade que me dá de
esclarecimento, e mais uma vez, perdão se ofendi ou feri seu coração.
No Senhor,
Ana Paula Valadão Bessa.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
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